5.23.2009

VOTO EM BRANCO

Não vou dizer que a democracia está obsoleta. Não vou dizer que a democracia, tal como a conhecemos, não o é. Enfim, não vou falar daquilo que vocês já sabem (espero eu que o saibam). Vou falar daquilo que quase ninguém sabe, nem quer saber.

As eleições legislativas aproximam-se, e as opções resumem-se a duas:

- continuar sem opções;
- criar opções.

Não é entre PS e PSD. Não me interessa votar na mão esquerda, ou na mão direita, ambas pertencem ao mesmo corpo corrupto. Não, é entre ter um governo ou ter um circo. É entre votar nas mesmas caras de sempre ou em novas caras. É entre votar no status quo e naqueles que o querem manter, ou votar em outros quaisquer.

E como os outros quaisquer não existem, nós precisamos de os criar, de exigir, de demonstrar a demanda por outra coisa qualquer. Como?

Voto em branco. Não é riscar o boletim, nem fazer desenhos, nem rasgá-lo, não. É votar em branco, colocar o boletim, imaculado, tal como nos foi entregue, dentro da urna. Se a maioria votar em branco, as eleições têm de ser repetidas, mas com novos candidatos. Giro, não é? O país votaria em branco até que candidatos sérios, com programas eleitorais sérios e realistas, se apresentassem.

Poderiam ser preciso mais que três eleições, mas ficaria bm claro que não aturaríamos mais palhaçada.

Ou isto ou explodir com o Parlamento no dia 5 de Novembro.

PORTUGAL... É NOSSO PARA O BEM E PARA O MAL

Bem diz o Sérgio Godinho que Portugal é nosso para o bem e para o mal. Uma frase tipicamente portuguesa, ensopada de conformismo e encolher de ombros. "... que se há-de fazer...?".

Nesta entrevista de Mário Crespo, Medina Carreira não nos diz o que fazer, nem precisa. É uma descoberta automática, depois de sabermos o que se passa.







Se não há evolução, venha a "re-volução". Se o bife está a queimar há que o virar.

4.29.2009

ZEITGEIST 2: ADDENDUM - EXCERTOS COM JACQUES FRESCO

Um apanhado da participação de Jacques Fresco e da influência do seu The Venus Project no documentário Zeitgeist 2: Addendum.





O documentário completo e legendado está disponível para download por torrent ou visualização directa em www.zeitgeistmovie.com.

Um e-book gratuito de Jacques Fresco - Designing The Future

CRISE??? (O PORQUÊ)

Vamos lá então falar da morte do sistema monetário? Sim?

Não. Vamos ver.

O VALOR DAS COISAS

Um artesão tem uma moeda de um centavo, um clip de metal e um berbequim. O artesão fura a moeda com o berbequim. Abre o clip e enfia-o pelo buraco da moeda. Volta a fechar o clip, ficando a moeda pendurada neste, pelo furo. Acabou de criar um brinco. Repete todo o procedimento, com outra moeda e outro clip. Tem agora dois brincos de um centavo. Quanto podem custar estes brincos?

Um estilista de renome internacional tem uma ideia semelhante, e cria um vestido cuja malha é feita de moedas, como que lantejoulas. Para conseguir este efeito, o estilista utiliza centenas de moedas de um centavo. A pergunta é a mesma. Quanto poderá ele cobrar pelo vestido?

Qual o valor das coisas? Dos materiais? Das ideias? Da mão de obra? Da originalidade? Um centavo vale quanto depois de transformado num acessório de moda?

Quanto custariam umas All Star, cujo o tecido teria estampado o padrão da Louis Vitton? O mesmo que todas as All Star? Mais? Muito mais? O produto é o mesmo. Porque vale um papel de parede com vários "L" e "V" uma exorbitância quando usado em malas de viagem?

Não estou a falar de consumismo. Estou a falar do valor das coisas.

Porque vale o nosso dinheiro a quantia que lhe atribuímos? O que é um Euro? São duzentos escudos? O que é um escudo? Que valor têm as coisas?

Aquele que lhes atribuímos? Mas o que é o valor? É dinheiro? O dinheiro é um valor atribuído. Como atribuir valor através de valor atribuído? Vale mais um litro de água potável ou um quilo de ouro maciço? O ouro dá para rentabilizar, fazer peças de joalharia, botões de punho, relógios, coisas às quais atribuímos mais valor (atribuído) do que a um litro de água, fonte inegável da vida. Claro que num deserto preferíamos a água ao ouro. E mesmo para os mais materialistas, depois de horas a caminhar ao sol do deserto, com o ouro na mão, seria a água que lhes apareceria em alucinações.

Mas longe de mim querer implicar que a água tem mais valor que o ouro. Afinal as coisas têm apenas o valor que lhes damos, lhes atribuímos, como indivíduos, e principalmente como sociedade.

Daqui, seria muito fácil para mim levar a discussão para a morte do sistema monetário. Mas por hoje já questionei o Dogma numa dose razoavelmente perigosa para os vossos sistemas imunitários, meus caros carneiros. O lobo mau despede-se. Pssst, não digam nada ao pastor ;)

3.20.2009

A JUSTÇA É UM AUTOCLISMO AVARIADO

Não pela primeira vez, tive uma epifania na casa de banho, a fazer aquilo que a sociedade se compromete a desempenhar, sem no entanto cumprir: expelir a porcaria, e mandá-la cano abaixo. Levanto-me, dou a descarga, e lavo as mãos. Depois constato que o filho da puta (não irá ter outro nome este ilustre cagalhão) ficou ali, a boiar, mesmo após uma tempestade de 5 litros na escala de Richter, esse alemão panasca que gosta de sacudir o Planeta. E aí percebi tudo!
A Justiça é um autoclismo avariado. Toda a gente sabe onde está a merda, toda a gente sabe como a limpar. E eu não sou diferente, uso papel higiénico, e de vez em quando toalhetes Dodot (indiscritível a sensação de frescura). Depois de um gajo usar os mecanismos padrão para se livrar da merda, eis que um se vira contra o outro. Dou a descarga e lá se vai o coitado do papel sacrificado, e o raio da merda fica ali, a olhar para mim, feito náufrago do Titanic, a acenar-me como quem diz, ainda "sobrevivi, estou vivo". Mas que raio de mundo é este em que a merda, mesmo depois de ostracizada e encurralada no vaso sanitário cheio de água, sobrevive às fúrias e tormentas do autoclismo? enquanto que o papel higiénico que nos é disponibilizado para nos livrar da merda, acaba por ficar também borrado, en-merdado (fica decidido aqui e hoje, é assim que se escreve esta palavra) e por fim sacrificado antes e em preferência aos culpados desta merda toda, esses filhos da puta, os cagalhões!!! Mas é sempre assim, não é? O grande "malfeitor" escapa. Já o papelinho, aquele que não tem outra hipótese se não chegar-se à merda, esse é logo julgado e condenado, pública e judicialmente. Nem neste nem em nenhum país deste planeta os cagalhões vão pelo cano abaixo. Podem ir presos, mas sobrevivem sempre, ilesos, a boiar depois de todo o reboliço mediático em torno da questão. A memória é curta, meus senhores, é o que vos vale. Se soubesse em que ano estou e como me chamo dizia-vos das boas.

Mas lavo as mãos desta questão, faço a minha parte, quem não cumpre é o cagalhão, e afinal saber nadar é um arte.

2.06.2009

Biomimicry - Introdução

Energia Solar não é um conceito novo, mas ironicamente é um conceito renovável. Como o são as restantes energias renováveis, na forma de conceitos. Todos os dias a tecnologia e a aplicação da mesma sofrem alterações, melhorias, renovando assim as ideias que produzem as nossas energias renováveis. Mas eu quero falar é da Biomímica, um conceito inovador e, de novo, renovador. As melhores soluções para tudo já existem. E estão na Natureza. Fruto de biliões de anos de adaptação e evolução, num processo ainda em movimento, a Natureza ensinou ao Homem, atento o suficiente para a observar, as soluções para as necessidades da nossa espécie. A Agricultura é uma tecnologia, possível apenas àquele que conhece o funcionamento da Natureza, o solo, a estação do ano, o clima. Vejamos neste vídeo que forma ganha esta nova maneira de captar energia solar. Será que foi por acaso?

1.22.2009

Das Hipóteses de Bill -O dilema da mala de dinheiro e Eduardo Mãos de Tesoura

O que é estar certo ou errado? O que é que é o politicamente correcto ou incorrecto? Todas essas considerações surgem da sociedade ou de dentro de nós? Será o homem impelido a ser mau ou bom por natureza? Ou será que essa análise da natureza do homem só pode ser efectuada após a entrada do homem na sociedade?
Esta é uma discussão que já vem de outros séculos, e correndo o risco de repetir as mesmas ideias de outros, decidir expôr aqui um pequeno pensamento pessoal.
Pois bem, assim rudimentarmente existem duas considerações extremas; um pensamento hobbesiano que dita que o Estado da Natureza do Homem é do conflito, ou seja, antropologicamente reparamos que o ser humano é levado, pela sua natureza, a fazer o mal; um pensamento roussoueano ( se é que tal palavra existe) que nos leva à deliberação que o ser humano é bom ou mau por acção da sociedade onde está incluído e que por natureza é um bom selvagem.

Pois bem, dando aqui uma breve introdução destes dois pontos de vista, de uma forma muito simplista e curta, sigo agora para o que queria mostrar, que é uma cena do filme de Tim Burton - Eduardo Mãos-de-Tesoura. Para quem conhece o filme não vai ter problemas em reconhecer a cena, que começa após Eduardo ter "sido levado" para cometer um roubo numa casa, sendo apanhado posteriormente pela polícia e, assim, a família adoptiva de Eduardo tenta explicar-lhe ética:

" BILL
Okay, a little ethics. You are walking down the street. You find a suitcase full of money. There's nobody around. No human person is in evidence. What do you do? A You keep the money. B You use it to buy gifts for your friends and your loved ones. C You give it to the poor. D You turn it into the police.
Nesta altura, o pai (Bill) coloca um dilema a Eduardo, de modo a fazê-lo perceber o que é o "correcto", traduzindo o que Bill diz, ficamos com algo como o seguinte:
a) Errado
b)Errado
c)Errado
d) Correcto
Para Bill a primeira opção seria b), se fossemos colocar as opções por ordem de escolha, poderíamos ficar com algo como isto: d) c) b) a); é desta forma que vejo a moral de Bill;

KIM
That is really stupid.
PEG
Kim!
KEVIN
I keep the money. É desta forma que Kevin vê as escolha que o pai exprimiu:
a)Errado
b)Errado
c)Errado
d) Correcto
A razão porque ele afirmou que escolheria o dinheiro é só porque é um jovem ainda, e a afirmação tem piada porque é contra o que ele já sabe que é "correcto" (como iremos ver mais à frente), e no que eu acho que é a moral de Kevin, a sua ordem de escolha seria algo assim: d) a) b) c)
(...)
EDWARD
Give it to my loved ones? Agora vou demonstrar o que penso ter sido o fio de pensamento de Edward, esta é a sua tradução das hipóteses de Bill:
a) Não percebe a razão
b) Amizade
c) Não percebe a razão
d) Não percebe a razão
A verdade é que neste ponto Eduardo Mãos de Tesoura é um ser amoral, não é bom nem mau, pois não compreende essa ideia, assim como não entende muito bem a ideia de propriedade, de dinheiro, de hierarquia, mas existe algo que entende, que são os sentimentos que nutre pelo seu semelhante, sejam eles de amizade ou de inimizade ( no seu estado mais puro), logo deduzo que a sua ordem de escolha seria: b) a)/c)/d) ( coloco as outras três hipóteses na mesma posição na ordem pelo simples facto que Eduardo só poderia ordenar as hipóteses que desconhece o seu valor com a influência de uma outra pessoa tocada pela sociedade e o seu sistema de valores e morais,além do que lhes é "natural" se a influência viesse de um ser "avarento" o provável era escolher em segundo lugar a opção a), se fosse um ser "gentil", poderia escolher a opção c) e, porém, se fosse um ser dotado do conhecimento das "regras", escolheria a d);
PEG
Oh, Edward, it does seem that that's what you should do, but it's not. A Peg demonstra nesta frase a linha ténue que separa o que é "bom" da vida "natural" e o bom da vida "artificial" ( sendo "natural" o dito Estado de Natureza, e o "artificial" o Ser Humano em Sociedade)
KEVIN
You dope, everybody knows he's supposed to give it to the police. Kevin reafirma aqui o que expliquei atrás, de facto ele sabe o que está correcto pela visão da sua sociedade;
BILL
Good thinking, Kevin. Bill elogia o bom "pensar" de Kevin, mas , de facto, Kevin não pensou, limitou a repetir algo que lhe foi incutido desde pequeno, ele não "pensou" para dar essa resposta, existe aqui uma falta de livre-arbítrio no sentido que Kevin já não consegue chegar ao seu único ponto de vista (natural) sobre o que está certo ou errado mas apenas seguir as condutas que lhe foram colocadas na cabeça(artificial);
KIM
Well, think about it, you guys, I mean, that's the nicer thing to do. That's what I would do. Kim nutre sentimentos por Eduardo, logo esta afirmação já está parcialmente influenciada por esses mesmos sentimentos, porém ela diz que de facto, a escolha de Eduardo, é a melhor escolha a fazer porque é a mais "gentil", porém mais do que dizer isso por pensar isso, ela afirma-o por nutrir sentimentos por Eduardo(natural), pois a sua mente também já está igualmente "tocada" pela sociedade, ( Kim coloca o "natural" por cima do "artificial"reparem que ela não faz nenhuma alusão à opção dos pobres(artificial) pois essa opção é lhe trivial ( se ela estivesse mesmo a defender o "gentil" como valor acima do "correcto" poderia reaforçar a sua posição com o exemplo da ajuda aos pobres), este é o valor que ela tira de cada uma das hipóteses de Bill:
a) Errado
b) Eduardo
c)Errado
d)Correcto
E nessa lógica, penso que a sua ordem de escolha moral seria: b) d) c) a)
BILL
We're trying to make things easier for him, so let's cut the comedy for a little while. É visível o tom de ordem nas palavras de Bill, quando o assunto é a justiça e os valores morais do bem e do mal, a ideia de um conceito tão humano como a "gentileza" é vista como comédia e fora do espectro de escolha e de sentido, para Bill, Kim sabe muito bem o que é correcto e que o correcto não tem nada a ver com "gentileza" ou outros sentimentos humanos ( Bill coloca o "artificial" por cima do "natural), além que de modo a tornar tudo mais fácil para Eduardo, Bill compreende que é mais fácil dar-lhe o pacote básico da moral da sociedade que demonstrar o alcance da escolha ( pois pode não ser compatível com a sociedade);
KIM
I am being serious. It's a nicer thing to do.
BILL
We're not talking nice. We're talking right and wrong."

Pois bem, já me alonguei demais e acabei por não poder falar de outras coisas que queria dizer, se calhar deixo para outro post e fica este apenas como exposição deste dilema.
Bill conclui com " We're not talking nice. We're talking right and wrong." o certo e o errado são então construções da sociedade em que o sujeito está inserido, mas a gentileza, a avareza, a cretinice e a inocência são sentimentos do âmago do sujeito, que mudam de definição quando em conflito com a sociedade.
O filme de Tim Burton pode levar a uma análise enorme e isso é algo que não posso fazer neste blog, tendo em conta a extensão que tal análise teria, mas concentrando-me nesta cena do filme vou levar a cabo uma pequena reflexão. Peço-vos paciência.
O ser humano tem dois "espíritos" ( não no sentido religioso, mas como conceito para me ajudar a explicar a minha ideia), um "natural" outro "artificial", o "artificial" não existe ab initio e é o espírito que pode ser modelado pela sociedade onde o sujeito decide viver, ou modelado por valores multi-societais, no sentido de ser uma criação do proprio sujeito do seu sistema de valores ( o que pode levá-lo a ir contra toda e qualquer sociedade existente na Terra); o espírito "natural" é um espírito que existe ab initio no sujeito, com ele vêm sentimentos como a paixão, o ódio, compaixão, raiva, amizade, inimizade, ingenuidade, avareza. ( Podem questionar-me em relação à avareza, pois diriam-me que o sujeito sem conhecer o dinheiro não poderia justificar tal sentimento...errado, de facto eu posso decidir ter mais maçãs do que posso comer, não no valor da glutonice, mas apenas porque as quero possuir), tais sentimentos não são colocados no sujeito pela sociedade, pois são "naturais", o que é colocado no sujeito "artificialmente" são ideias como a justiça, dinheiro, riqueza,propriedade,etc...
Definindo estes dois espíritos no sujeito, entendo que estejam então os dois em constante conflito e que os sujeitos que chegam a um consenso estre os dois espíritos, serão os sujeitos equilibrados ( não afirmo se são esses mais superiores como humanos ou mais inferiores, simplesmente encontram-se em equilíbrio com os seus espíritos).
Estes dois espíritos existem ( em constante conflito ( por exemplo Kim em vez de dizer o que acha correcto, num sentido "artificial", sobrepõe o sentimento de amor, que lhe é "natural", o amor entra em conflito com o seu sentido de justo) e consenso) como ferramentas para o livre-arbítrio de cada sujeito, e era exactamente aí que queria chegar.
O livre-arbítrio e a moralidade dos seres humanos não provém, de todo, mas só parcialmente, ab initio, na verdade é necessário tanto o que é "natural" ao homem e o que lhe é "artificial" para chegar ao seu livre arbítrio equilibrado. É necessário uma base "natural" e uma construção "artificial".
Esta é a conclusão a que cheguei, mas deixo a pergunta " Até que ponto podemos deixar que os valores construídos na sociedade em que nascemos interfiram e suplantem os sentimentos naturais ao homem e que deviam conduzir a sua vida?"; Deveremos escolher reger a nossa vida pelo o que nos é "natural" ou pelo o que nos é "artificial?"; Todas estas perguntas são impossíveis de responder universalmente, pois elas predispõem um juízo de valor, que vai ser influenciado por vocês, no sentido "artificial" de pessoas fortemente ligadas à sociedade, ou no sentido "natural" como pessoas fortemente desligadas da sociedade. E essa decisão de valor deve ser vossa de livre-vontade,de vossa escolha e juízo, como expressão de humanidade e de sociedade.

1.07.2009

Gabinete

“Piquenique! Piquenique” gritam as crianças pelo parque. Estão sozinhas a deambular pelo parque, a cantar e a sorrir, sem suspirar. “Piquenique! Piquenique!”. Vejo esta situação enquanto passo ao lado, dirigindo-me ao Gabinete. As criança correm de um lado para o outro, brincando às escondidas e à apanhada, penso que agora é a vez do João...ou se calhar não.
Fui chamado ao Gabinete para defender uma afirmação minha, que fora contestada na rua, há 3 dias atrás. Segundo o Gabinete eu não tinha quaisquer fundamentos para proferir tal afirmação, no meu ponto de vista eu tenho. Logo, existe um confronto de ideias e estas coisas costumam ser logo resolvidas, após propriamente registadas e documentadas pelo Departamento de Burocracia e dos Tecnocratas. Mas mais que isso, eu pretendo fazer-me ouvir e exercer os meus direitos.
Espero na fila, visto o meu fato preto e coloco o meu chapéu-de-coco, vestes obrigatórias a qualquer pessoa que deseje entrar no Gabinete. Olho para cima e o céu olha para mim, trocamos um olhar e ele segue a sua vida, eu coloco os fones nos ouvidos e começo a ouvir o disco que me deram. Necessito de o ouvir antes de passar para a fila.

“Saudações Senhor Homem, enche-nos de alegria ao proporcionar-nos o prazer da sua visita. Breve visita. Por favor tenha a atenção para não mexer em nenhum dos Regenerados, pois, como o seu nome indica, estão em processo de regeneração e qualquer elemento pertubador pode influenciar negativamente o seu crescimento como cidadão Regenerado. Tenha igualmente especial atenção para não escutar as palavras radicais de alguns dos possíveis rebeldes que proferem discursos anti-sociedade e que vão contra o bem-estar e paz dos outros cidadãos. Caso encontre algum, faça o favor de o indicar rapidamente a um dos sentinelas policiais que esteja consigo, pode fazer isso facilmente clicando no botão no seu pulso direito.Bom Dia! “Esta mensagem foi aprovada pelo Sistema de Regulação do Povo

No fim da mensagem já me encontro perto do Gabinete, vejo um dos tais “agitadores”, discursa:

“Abre os olhos meu! Abre os olhos! Tu sabes que és só mais uma vaca a caminho do matadouro meu! Tu és um escravo! Um escravo ouviste? O que pensas que são todas estas instituições em prol da tua “segurança”? Eles não querem saber de ti nem de ninguém... eles...eles controlam-te meu! Abre os olhos!”Decido ignorá-lo, sinto empatia pelo sujeito mas o homem atrás de mim não, rapidamente clica no botão e dois sentinelas policiais levam o “agitador”. Não aguento a decisão deste meu colega cidadão e pergunto-lhe:

-Era necessário?
-Está a falar comigo? –pergunta ele.
-Estou. Era necessário?
-Se calhar. Era seu amigo?
-Não. Não o conhecia, mas sei que ele não estava a fazer mal nenhum.
-Pertubava a ordem pública rapaz. Isso é mal nenhum? Você não sabe que estes sujeitos não são humanos?
-Como assim? Não são humanos...
-Sim, meu amigo. Não se iluda com os seus discursos “humanos”. Aquilo não é “humano”. Aquilo é a própria voz do Diabo, incitando-nos a lutarmos entre nós em vez de garantir a segurança.
-Perco-me... o que é humano então?
-Tranquilidade.
-Aborrecimento? Solidão. Vergonha.
- Regras! Conduta! Status quo! Tudo é humano nisso. O resto é mau. Aprenda comigo, jovem. Não duro sempre.
- Você é humano.
-Claro!
-E eu?
-Decerto.
-Porquê? Como?
-Ele criou-o. Você assinou o contrato?
-Eu não assinei...
-Não faz mal nenhum, por acaso tenho aqui um exemplar, quer assinar?
- Eu não saberia por onde começar...
-Comece pelo início e comece-o “leve e fresco, como o novo refrigerante Sumus!”. Siga-me até aquela secretária.
- Ela não estava ali antes....
-Não precisávamos dela antes, porque estaria ali? Mas agora sim! Venha! Venha!
- Pode ser. Mas continuo a dizer que não devia ter chamado as sentinelas policiais.
-Não deveria...poderia...quiçá...talvez...o que foi, foi! O que não foi, nunca existiu! E mesmo assim há coisas que foram e não o são, ou que nunca foram...mesmo sendo. Mas a hora da filsofia é só daqui a umas horas, hoje é sobre Hobbes e as razões porque precisamos de Paz!
-Sobre Hobbes... penso que me perdi na sua exposição.
-Tem tempo até ao Gabinete não tem?
-Não posso dizer com certeza...
-Tem sim! Com este contrato você vai ser humano toda a vida!
-Mas já não sou?...
-Você é neste momento, o que nós gostamos de chamar de uma carapaça vazia sem-alma. É somente após a assinatura deste contrato que você recebe a sua alma, num prazo de 7-12 dias. Você compromete-se a pagar o empréstimo desta nossa alma a si até ao fim da sua vida com uma taxa de juro fixa. Ok?
-Penso que sim.
-Ganha em troca uma alma, uma personalidade e inclusive um sentido na vida!
-Posso ver qual é o meu?
-Quer saber qual é o seu sentido da vida?
-Foi isso que perguntei.
-Bem, para isso tem que remeter o formulário azul celeste para o nosso Departamento de Coisas da Alma.
-Quando?
-Quando?...
-Quando é que sei o meu sentido da vida?
-No momento em que tivermos a certeza que o cumpre.
-Você não está a fazer sentido! Isto é confuso... se tenho direito a um sentido de vida...e só o recebo quando vocês sentirem que eu vou cumpri-lo... vocês já sabem qual é o meu sentido e eu não tenho opção?
-Assine aqui em duplicado.
-Sim senhor. - meto o contrato na minha pasta e ando devagarinho para o Gabinete, onde encontro uma sala vazia, apenas com uma mesa. E é lá que fico à espera.

E enquanto fico à espera, vejo um sinal a dizer “ Sente-se”...pondero em tudo, no que me aconteceu até cá chegar e na sala vazia...sem portas nem janelas e apenas uma mesa.Aproximo-me da mesa, reparo no seu toque de madeira, no objecto que é e no que representa. Esqueço essa parte e sento-me nela e fico à espera que me oiçam, mas de facto..e já deveria ter percebido isso, é que ninguém me vem ouvir, ninguém vem falar comigo e explicar-me nada. O que afirmei na rua não tem qualquer interesse. Não há ninguém por detrás da mesa e a verdade é essa. Só uns vendedores no corredor.

1.05.2009

APENDICITE

Desafio os não preguiçosos a descobrir a definição de apêndice. Ah, e já que estão numa de levantar o rabo procurem também a definição de design. "Espera lá! Apêndice? Design?"

Como eu também sou preguiçoso, e o dicionário é de todos os clássicos o que mais desprezo, gosto de inventar as minhas próprias definições, significados e aplicações das palavras. Assim posso dizer que a política é um apêndice, por exemplo, ou que o socialismo de Marx tem um design interesante. E quem me pode corrigir? Ou melhor, quem se dá ao trabalho? Adiante.

Diz-se que a invenção surge aquando da necessidade. Não necessariamente (trocadilho de merda). Na sociedade presente há muita coisa que usamos não por necessidade, mas por culto ao apêndice. Os nossos carros, os nossos telemóveis, os nossos portáteis, as nossas mochilas, as nossas roupas, as nossas casas. Tudo aquilo que antes surgia para desempenhar uma função específica e importante, fundamental e acima de tudo de maneira funcional através da forma funcional (são coisas diferentes), serve agora como símbolo do nosso indivíduo, da nossa diferençiação em relação aos outros, de elemento que nos distingue e que reflecte "o nosso estilo pessoal", quando no fundo o que fazemos é copiar o estilo de algum ou alguma modelo que vemos nos anúncios de revistas e televisão. Desejamos a mesma roupa, os mesmos telemóveis, os mesmos carros, queremos todos o mesmo, na desesperada e ilusão de que seja esse item que só nós teremos e mais ninguém poderá ter que nos irá distinguir dos outros, elevar-nos à condição de único e inagualável. Assim, para mim, nada distingue o primeiro classificado da prova dos 100 metros do último classificado, que chegou 4 segundos atrás. Ambos correram pelo mesmo. Vejamos se me contradigo mais à frente.

Quase tudo o que possuímos, e absolutamente tudo o que desejamos são apêndices. Extensões de nós próprios e das nossas pretensas identidades, sejam elas quais forem. Se uma invenção, como o automóvel ou o telemóvel fossem apenas isso, um veículo eficaz de transporte, um aparelho de comunicação sem fios, essas invenções não teriam sobrevivido muito tempo. Depois do essencial estar minimamente satisfeito, como a necessidade de deslocação rápida e da comunicação remota, os responsáveis pela comercialização de tais aparelhos necessitam de inverter a função dessas invenções, para que a demanda destas aumente e continua a existir. Um carro já não é um veículo de transporte, mas um símbolo de virilidade, posição social e estilo. Os nossos telemóveis passaram a ser câmaras de fotografar e filmar, consolas de jogos, browsers de internet, pocket PC's, um aglomerado de funções que não funcionam. Já não queremos nada que traga e faça apenas aquilo que precisamos que faça a um preço proporcional. Deslocarmo-nos cómoda e rapidamente a baixo consumo enérgico, receber e efectuar chamadas, receber e mandar mensagens de texto, não é isso de todo o que procuramos num carro ou num telemóvel. Mas era para isso que eles serviam, foi para essa função que foram criados, desenhados.

O que me leva ao design (aproveito a proximidade das palavras, e das palavras apenas). Design não é desenho. Resposta errada, abre-se o alçapão para o poço da ignorância, adeus sua besta, que caias de fuça! Design não é estética. Design é ética. É conceber a melhor solução funcional, desde o processo de produção ao da distribuição, uso e manutenção. Fazer algo com benefício de toda a humanidade em mente.  Nada mais. E isso aplica-se a tudo. Os carros de hoje não são funcionais. Não são práticos, não são económicos, não são duráveis, não são eficazes, não são ecológicos, não são recicláveis, não são automóveis. O mesmo para os telemóveis. Mas isto são só exemplos. A política tem um mau design, não funciona, não desempenha a função a que se propõe, não resolve problemas, e não é ética (ética não é aquilo que se aprende na universidade). Resumindo, aquilo que tu tanto admiras pelo seu "fantástico" design é totalmente desprovido do mesmo e, por consequência, tudo menos fantástico. O que é fantástico é a capacidade do ser humano de chapinhar no esterco e de regozijar enquanto o faz.

No próximo post explicarei porque desisti de ser arquitecto.

12.31.2008

A TERRA PROMETIDA (PARTE 1,5)

A destruição de um mito profundamente enraizado na sociedade é um processo lento. Não que justifique a minha exposição em partes decimais, mas a água, principalmente a fresca, bebe-se aos poucos. Morpheus mostra a Neo o que é a Matrix por fases, por sessões. Etapa a etapa, Neo transpõe as várias barreiras que permitiu que lhe fossem impostas pela sociedade, pela Matrix. "Lá vem o fanático do Matrix". Não falo de voarmos ou de desviarmo-nos da trajectória de balas. Falo de sairmos da Matrix, ficarmos livres das suas regras e limitações. Esse é o primeiro passo.

Se a Terra Prometida não é um lugar, nem um país, ou um terreno físico, então só pode ser espiritual, certo? Errado! A sua localização não se encontra nem na Bíblia nem no tão desejado Céu, ou Paraíso. Esse mundo melhor que este não vem depois da morte, por muito santos que tenhamos sido. Por isso não adianta esperar por ele, pela sua chegada, ou por um cristo que nos salve (cristo é sinónimo de messias). E aí está o mito. O mito da espera. O mito de que melhores dias virão, de que basta esperarmos, de que essa Terra Prometida, Céu, Paraíso, Éden, Nirvana, de que esse mundo virá ao nosso encontro. Nada veio ao nosso encontro. E da última vez que a humanidade ficou à espera mergulhou na escuridão da Idade Média, por dez séculos. Durante mil anos fechou-se o homem em si mesmo, e no Deus feito à sua semelhança (a Bíblia afirma que é ao contrário, mas até os grandes clássicos da literatura têm gralhas).

Agora, na era da alta tecnologia, vivemos a ilusão de que somos avançados, civilizados. De facto a ilusão é mais profunda. A nossa mais "alta tecnologia", a nossa "cutting edge technology" é a que menos usamos. Na realidade as nossas mais antigas tecnologias são as que predominam. São elas a sociedade e a religião. Tecnologias obsoletas, mortas, mantidas à força e à nossa custa, à custa da humanidade. O próprio uso atribuído às tecnologias de ponta está distorcido por estas. Em geral a tecnologia é usada para a criação de problemas, quando a sua função única é exactamente a inversa. Toda a Revolução Industrial resulta da busca pela solução fácil, sem nunca ter considerado as consequências. O adiamento do problema não o extingue, e varrer a sujidade para debaixo do tapete não torna a casa limpa.

Sim, mas o que tem isto tudo a ver com a Terra Prometida? Einstein abriu o caminho para a bomba atómica, mas também inventou um sistema de refrigeração para frigoríficos de menor consumo e  menor impacto ambiental. Qual das duas tecnologias poderia trazer maior benefício à humanidade? Escolheu-se a bomba atómica. O cientista alemão quando inventou o foguetão tinha as viagens espaciais em mente. E assim surgiu o míssil, um foguetão cuja função não era sair da atmosfera da Terra para o Espaço, mas matar civis em Londres. Em De Alchymia, Alberto o Grande escreve:

"Se tens a pouca sorte de te aproximares dos príncipes e dos reis, eles não cessarão de te perguntar "Então, Mestre, como vai a Obra? Quando é que finalmente veremos qualquer coisa de positivo?" E, na sua impaciência, chamar-te-ão aldrabão e velhaco e causar-te-ão toda a espécie de aborrecimentos. E, se não obtiveres êxito, sofrerás todo o efeito de sua cólera. Se, pelo contrário, o obtiveres, conservar-te-ão em suas casas em cativeiro perpétuo, com o propósito de te fazerem trabalhar em seu benefício."

A guerra tem sido o motor da invenção. A tecnologia está refém da sociedade. Está na altura de a resgatar, deste sistema que nos corrompe o espírito e o propósito de vida. Se queremos o Céu na Terra temos literalmente de nos esticarmos para o alcançar, irmos ao seu encontro, não ficarmos à sua espera. Acabe-se com o mito, não seremos melhores se não procurarmos ser melhores. E acabem com as barreiras mentais, de uma vez por todas, ainda que aos poucos! "ah, isso é tudo muito giro, mas é utópico."

O Futuro é sempre Utópico, até se tornar no Presente, e ficar esquecido no passado.

12.19.2008

Ora aí está!

Estou, de momento, a percepcionar as vicissitudes da idiossincracia da estupidez humana, proveniente de um tubo de ensaio extraviado pela conjuntura do empirismo complexo e subnutrido do ser ignóbil e extra-terrestre, que deambula pelo solo terreste, transportando orgulhosamente e cientificamente o nome de Homem Inteligente.

Este ser de suprema sapiência e excessivo ego dança as mil danças no momento em que ejacula o seu estrume intelectual para um pedaço de papel ou blog. Este ser critica a tremenda individualidade do indivíduo que se individualiza, ao mesmo tempo que este, o ser crítico, se fecha num núcleo de outros seres que se fecham mutuamente em cadeia, de modo a salientar o grupo de masturbação mútua de conhecimentos pré-lidos e estabelecidos.

Bumba de Merda para este Ser
Bimba de cocó na sua cabeça grande e oca
Bamba de estrume nos seus escritos fechados socialmente e de cariz auto-educativo

A sua constante procura pela última verdade leva-o a percorrer os caminhos da absurdidade da gramática e do vocabulário português. Passeando os seus livros, este Ser, de extrema sapiência e egocentrismo, nunca cesa de aumentar o seu vocabulário de modo a apontar, com a devida ciência, a mosca que está no tecto, da seguinte forma ' O ser voador, de duas asas, asas estas que significam, por um lado o algo que não é, por outro, o que é não sendo, está neste momento estagnado no seu próprio ciclo vicioso, mantendo-se imóvel, no alto, por cima do debaixo.'.

Papraprraaapapa! Eu cuspo palavras para este Ser que se perde na sua própria imagem. E nem sequer é a sua imagem, é a imagem da sua imagem criada, vista pela imagem dos outros reflectida de novo em si, como outro Ser, que não o que inicialmente era. E, nesse momento, vê-se preso em algo que não percebe, mas que necessita de manter.

É triste quando se tem que testemunhar tal facto e, eu, para poder apontar esse facto para mentes ocas de sentimentos, necessito de proferir aqui, neste blog , um vocabulário limitado, mas pseudo-intelectual. Prefiro dar chapadas na minha testa e cantar o Kumbaya do que me sentar na mesa desse Homem Inteligente e apanhar com as suas teorias de pseudo-teorias de sub-teorias de sob-teoria da caca.

Estudar? Estudem! Pensar? Pensem! Mas falem abertamente, porque todo o ser humano pensa, e se vocês pensam que ele não pensa, então estão a pensar de forma errada. Anti-pensadores é o que sois. Caca! Papraprrraapapaa!

12.10.2008

A TERRA PROMETIDA (PARTE 1)

Como pode um ateu como eu acreditar na Terra Prometida? É simples. A Terra Prometida não existe... ainda! O que quer isto dizer? Que chegará quando Israel e a Palestina atingirem total coexistênca pacífica? Não. Então é quando Jerusalém for totalmente judaica? Também não. Tem pelo menos alguma coisa a ver com o estado de Israel ou as escrituras? Nadinha.

Nunca gostei da série "X Files", mas sempre me intrigou o seu subtítulo "the truth is out there". É um facto, a verdade existe, e anda aí. Mas quase ninguém a percepciona (ou procura). Para exemplificar, ninguém relacionará este post com o filme épico de Ridley Scott "Kindom of Heaven" (e porque haveriam? só porque fala da terra prometida?). A quem já viu o filme, recomendo vivamente a versão do realizador (Director's Cut). Se nunca viram, não se incomodem com a versão dos cinemas. Comecemos pelo título. "Kingdom of Heaven", o Reino dos Céus. Que reino é este? dos céus. "It's a kingdom of conscience... or nothing", é dito no filme, um reino de consciência. Sim, e então? No filme, o reino de Jerusalém é um reino em que cristãos, judeus e muçulmanos vivem em paz e total harmonia. Então é Jerusalém? A Terra Prometida não é um lugar, mas uma ideia, um conceito por enquanto). Sim, mas não exclusivamente relativo à questão da paz no médio oriente, de todo. A Terra Prometida existe? Em teoria sim. "Ah, sei, é Israel." Não, porra!!!

A Terra Prometida não é um terreno. O Reino dos Céus não tem localização geográfica específica. A Terra Prometida está nos confins do futuro, tão longe daquilo que somos hoje, mas ao mesmo tempo tão perto das nossas potencialidades. The Venus Project trabalha nesse sentido, ou melhor, constroi a ponte, a transição deste nosso moderno atraso para uma atitude comtemporânea ao futuro. Repensar a nossa sociedade é meio caminho andado. Minto. Repensar este modelo de sociedade actual é simplesmente adiar o problema, e exponencialmente multiplicá-lo. Que podemos então fazer?

O espírito é um navio. Se encalhado na areia deteriora-se, enferruja, apodrece. Há que, primeiro que tudo, reconstruí-lo, de tudo o que nos foi ensinado até hoje, restaurá-lo da erosão da sociedade com auto-elucidação, auto-didatismo, descartar a auto-aceitação. Só assim o nosso navio poderá voltar ao mar, retomar a rota da evolução, abandonada e perdida no século XIX. Só assim poderemos descobrir novos mares, "nunca dantes navegados". E o que nos impede? Somos a nossa própria amarra, a nossa própria prisão.

E a verdade é que não há prisão. Apenas nós.

"Try to realize the truth. There is no spoon"

12.08.2008

ZEITGEIST: ADDENDUM

Porque a verdade vem sempre em fascículos, chega agora a segunda parte do documentário mais revelador de sempre. Podes vê-lo em streaming legendado em português aqui, ou podes fazer o download via torrent aqui. É meu dever avisar-te que, tal como com o comprimido vermelho, depois de veres Zeitgeist: Addendum não podes voltar atrás. Absolutamente não recomendado a carneiros (não, não é o signo do zodíaco).

Lucia no Céu com Brincos de Pechisbeque

é com alguma surpresa que tenho assistido nos últimos anos não apenas ao crescimento da popularidade de Luciana Abreu como também do seu portentoso par de mamocas. Não que Luciana não tenha talentos, que tem, estão é escondidos por baixo daquelas mamocas que aos Sábados e Domingos de manhã me invadem o ecrã de televisão quando descubro que me masturbei talvez demasiadas vezes a pensar nas mesmas pessoas. Mas Luciana não é apenas um fenómeno masturbatório infantil - será também ela uma rapariga de grande simpatia, tão grande pelo menos quanto as suas mamocas. E pela quantidade de vezes que já escrevi a palavra mamocas neste texto parece-me que o blogue vai comecar a ter muito mais visitas dentro de pouco tempo. Mas continuando com Luciana, o que é o Programa da Lucy? Eu arriscaria dizer que é um estranho subtipo de Bueréré (do tempo da Ana Malhoa, não da Ana Marques, santa mãezinha!) mas em que os garotos não aprendem rigorosamente nada. Porque convenhamos, enquanto a sodona Ana Malhoa abanava as mamocas (cá estamos nós outra vez) ao som da musica do genérico pelo menos tinha a amabilidade de nos ensinar o AEIOU. Portanto, enquanto que no programa apresentado por Ana Malhoa as mamocas andavam de mãos dadas com a pedagogia, no programa de Lucy as mamocas andam de mãos dadas com a parvoice. Não que eu goste muito de ser nostálgico, mas acho que prefiro a homossexualidade de Egas e Becas e a penugem amarelo-irritante de Poupas ás mamocas de Luciana. é que sinceramente, há necessidade de atormentar os rapazes mais novos com mamocas em tão tenra idade quando toda a gente sabe que a partir da adolescencia eles não vão ser capazes de pensar em nenhuma outra coisa? Pelo menos acho que é de aproveitar enquanto os homens não são tarados sexuais para lhes ensinar alguma coisa, tipo abecedário ou assim. Isto porque Lucy dança. E dança. E dança. E dança. As pilhas Duracell duram e duram, Lucy dança e dança. Incentivar os garotos a ser gente minimamente esperta e não como os pais, que votam no Sócrates, talvez não fosse assim tão má ideia. Mas isto sou eu que digo.

12.06.2008

O quadrado é mais difícil de carregar que o rectângulo

Neste mundo em que vivo, os gelados não se comem, porque é Inverno. As ideias são sufocadas porque...fazem comichão. Os boxers, por vezes, são excessivamente apertados, e tenho pouca comida no frigorífico.

E agora vou começar o meu texto, penso que tinha que me libertar da afirmação previamente proferida, por uma simples razão. Perguntam-me se a razão é a chatice dos boxers, o facto de ideias serem sufocadas ou de eu não ter comida no frigorífico. Não, o que me chateia é os gelados não terem uma maior saída no Inverno.

De facto, até me podia chatear os boxers apertarem-me as jóias da coroa, simplesmente porque dessa forma posso infligir danos nas minhas sementes e daí não ter sucessor para o meu ceptro de idiotice.
Podia-me chatear com a falta de alimentos nutritivos no meu frigorífico. Mas tal coisa não me ajuda a pôr a dita comida no dito aparelho. O que é que eu poderia fazer para ter alimentos no frigorífico? Tirar os alimentos dos meus room mates e colocar na minha parte e negar tal acto quando confrontado?

O que me pode chatear, até podia ser o facto das ideias serem sufocadas. Mas tal também é necessário e previsível. Porque eu pergunto a quem quer que seja que leia este conjunto de símbolos aleatórios que formulam um alfabeto, pergunto se alguém que não se visse pressionado quando tivesse uma ideia renovadora, se lhe iria dar o devido valor... todos gostamos de ter algum crédito na vida, e não me digam que não...todos querem. Todos gostam, mesmo por trás daquele aparente ar cool , por trás dessa máscara todos querem. E uma ideia proibida é mais apetecida. E se o facto de uma ideia ( num contexto renovador e não no contexto de " ah e que tal colocarmos o sofá mais para a esquerda?") ser constantemente aceite, por mais inovadora que seja, por todos, isso apenas enfraquece a sua força e por sua vez o rejubilo da detentora da ideia. Somente numa época pós-opressão, em que todos estão inspirados nas novas ideias é que elas surgem livremente pelo ar e são fortemente aceites!!! Mas é nesses casos que vários erros são cometidos e, 30 anos depois, vemos os frutos que plantámos cheio de minhocas...e nem para se usar na pesca servem. Logo, nem é isso que me chateia.

O que me chateia é não poder comer gelados... quer dizer, até os posso, mas para mim comer um gelado é estar na praia com calor, de calções ( largos), enquanto desfruto do gelado e penso em me atirar ao mar. Não posso fazer isso no Inverno.

Ou se calhar devia ter preocupações menos triviais e pensar no sentido das palavras e das coisas, do que é moralmente ético e da forma mais correcta de governar um povo...ou de não governar um povo... ou seja lá o que for...

São estas pequenas coisas que afectam uma pessoa no seu dia-a-dia. A raison d'être do nosso Estado, da nossa sociedade, a nossa moral e ética, isso foi construído ao longo de vários anos, e custou imenso e fez doer imenso a cabeça. Não me interessa, mais que os problemas graves em vários pontos do mundo, a própria situação do meu país que não me afecte directamente. E foram sempre pessoas muito inteligentes que trataram desses assuntos. Isso a mim não me interessa. Mas o Benfica ter um Quim que anda a sofrer muitos golos... este mundo é mesmo nojento! E eu não censuro ninguém que assim pense... é muito doloroso tentar ter a imagem geral, assim como é chato tentar perceber o que há para além do Universo. Para isso, crio um Deus, ele resolve-me os problemas...e ainda posso jogar nas rifas da paróquia.

E agora, no fim disto tudo...apetece-me mesmo o raio de um gelado.

12.05.2008

Boas Novas

Recentemente no jornal New York Times, publicaram a notícia de que cerca de 6.7% da massa trabalhadora americana está sem emprego. Economistas apontam para uma subida a curto-prazo até aos 8 a 9% do desemprego ainda no início do ano 2009. Será, em várias décadas, a primeira vez que existem tantos desempregados nos E.U.A. e muitos mais estão para vir.

De certo modo pode parecer insignificante mencionar este tipo de notícias, até que vemos que estes recentes despedimentos e perdas de emprego já se estão a reflectir na Europa, nomeadamente na Indústria Automóvel.

De seguida, já se mostram indícios de que o mundo artístico já começa a sofrer. A indústria que estou a falar é a do Cinema, neste caso, Hollywood.
Têm aparecido notícias de que algumas produtoras independentes de menor recursos financeiros, já se viram obrigados a retirar fundos a certos pequenos estúdios, e a se recusarem a aceitarem aplicações de trabalho; aliás até grandes produtoras norte-americanas como New Line Cinema ou a Paramount Pictures se viram obrigadas a começar a cortar fundos para determinados departamentos criativos.

E vocês dizem: "Isto é muito interessante, mas onde afecta a minha felicidade?". Não afecta têm razão, mas agora partilho algo que descobri embora já tivesse ideia de que isto cá neste glorioso País, estivesse a dirigir para o mesmo caminho.

Estive à conversa com um conhecido que está dar um Workshop de Técnicas de Som; esta pessoa em questão trabalha para a SIC, num estúdio de Som que trata maioritáriamente de trabalhar em banda sonora de documentários e reportagens do canal em questão, e de fazer o Som de várias peças, seja gravando música, seja tendo actores a gravar voz em estúdio, ou simplesmente a fazer a mistura final de qualquer tipo de peças que lhes apareça à frente. Nessa conversa inquiri sobre como o canal, ou o estúdio, pensa ou tenta em arranjar jovens que estão interessados em fazer uma carreira e estejam interessados em trabalhar em Som e aprender os vários ofícios da profissão (e são muitos), o dito conhecido disse que de momento não podem arriscar a arranjar emprego ou estágio seja a quem for que já não tenha uns bons anos de experiência em trabalho de estúdio, e tudo por uma razão, os "Homens de Fato" do canal não querem arriscar a formar novas pessoas, pois o dinheiro já é pouco e não podem ter prejuízo.

Cinema em si, e qualquer tipo de trabalho que se aproxime da àrea como a televisão, é uma indústria (em Portugal) elitista, e com isto, não se quer dizer que só os maiores conseguem trabalhar nela, não; aliás cá, a maioria dos que trabalham nela nem estão talhados para esse trabalho, e com o crescer da incompetência neste e outros empregos que façam parte de uma indústria pequena, não se pode culpar a industria por se querer proteger a ela própria, e minimizar custos de risco. Querem um conselho? Começem a tentar candidatar-se a Erasmus, todos aqueles que querem vingar nesta Arte, mas infelizmente como sabem, só um pequeno número de à volta de cinco pessoas por ano, se pode dar ao luxo de sair daqui e arranjar melhores oportunidades. Quem já fez Erasmus que vos diga que a experencia é muito mais enriquecedora em meio ano, do que três anos por cá, e quando digo enriquecedora, especificamente refiro-me ao nível de aprendizagem técnica/prática.

Descendo à terra, reparamos que hoje em dia, para nós que estamos interessados em de alguma maneira entrar no mercado de trabalho, seja de que maneira for, as coisas nos próximos tempos, vão começar a tornar-se mais difíceis, e as oportunidades estão a começar a escassear. Querem comida no prato? Não se metam em Arte (Cinema incluído óbviamente) o mais certo é passarem um bom tempo na rua a tentar vender pinturas para comerem uma sopa quente, num futuro próximo. Infelizmente em cinema, não podemos ir vender o nosso conhecimento e talento na rua. Além disso, está frio lá fora.

Queridos Profetas

Eu sou um "regular Joe" ou como dizemos por estas bandas um, um gajo normal. Um normalóide, se é que esta palavra pode existir. Não existe? Não faz mal, eu quero que exista. Apetece-me.
Não pude deixar de reparar que existem forças maiores que a vida que me querem acordar do meu sonho, tão bom que ele é. Estou eu aqui, numa cadeira de praia, com um cocktail à minha esquerda, pousado numa pequena mesinha-de-cabeceira, com uma gaja de copa 34 a massajar-me as pernas (e a subir gradualmente se me percebem) e existe alguém que me anda a dar bofetadas na cara a gritar:"ACORDA!!!!ACORDA!!!" e eu a tentar recompor-me e a perguntar ao mesmo tempo:"Mas que raio de corda estão eles a falar?"

Eu não percebo a vossa mensagem. Não me interessa perceber. Vocês, estão inequivocamente errados. Se vocês estivessem certos quanto ao que querem apregoar, mais pessoas estariam do vosso lado, não é oh sabichões? Não é armando-se aos cucos e em pseudo-seja-lá-o-que-for que se engata mulheres. Isto ensino-vos eu: com elas não podem mostrar-se inteligentes, têm que mostrar ser mais tontos que elas e se puderem juntar a isso um corpo bem tonificado, têm uma boa embalagem para concorrer as calcinhas delas. Ah! Isto não sabiam vocês pois não? Sempre com menções ao Feiticeiro de Oz e ao Matrix e Total Recall, malditos livros/filmes que advocam o sentimento de encontrar o verdadeiro sentido do que experienciamos diáriamente e em o que acreditar; ainda não perceberam que isso não leva a lado nenhum? Nós os que estamos no Kansas (ou na praia como eu) preferimos coisas concretas, como, o que vou comer ao jantar? Quem vai dar-me trabalho para eu pagar a minha rendinha e pagar os meus impostozinhos? Afinal de contas, o Sôtor Sócrates não pode por este País no caminho certo se eu não fizer tudo o que ele pedir e não o questionar. O que vocês pedem de mim hem? Que eu me insurja? Que me rebelie? Que questione? Eles sabem mais do que eu!! EU pago os meus impostos àqueles doutores para que eles possam pensar por mim!! É verdade!! E admito!!

Já viram? Fizeram-me chatear!! E eu que até estava a gostar deste solzinho e a gaja estava a começar a chegar mais acima dos joelhos...

12.04.2008

O TESTE

"Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são a obra, não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca é absurda. Se a época que vivemos é dura,  temos o dever de a amar ainda mais, de a penetrar com o nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para além delas"

Walter Rathenau, Para Onde Vai o Mundo?

(In)significância

Sou um grão de areia. Um nada no tudo do areal. Pisado todos os dias, chutado, atirado para lá e para cá... Levado para longe, preso. Misturado com cimento. Usado para edificar algo que não me serve. Sou um grão de areia. Para que preciso de um parque de estacionamento? De um apartamento? De um estádio de futebol? Para nada. Sou um grão de areia. Pertenço ao areal.

Será? Ser pisado, chutado todos os dias, atirado pelo vento? Não.

As ondas vêm e vão, ouvimos o seu rebentar, e logo nos esquecemos  que existem. Até à próxima que rebenta, e que voltamos a esquecer. Admiramos o seu som, a sua beleza, a sua verdade. Mas no areal está-se tão bem...

Cansei, aqui não fico mais. Vou para o Mar. Lá serei parte da natureza. Não farei parte do mundo do Homem, que se considera maior e melhor que o meio que o acolhe. Não serei mais pisado, não serei mais um instrumento para fazer cimento, recuso-me a fazer parte dessa massa informe e monocromática. Vou para o Mar. Embarcarei numa das muitas ondas que rebentam perto de mim. Não posso ignorar mais o seu convite, vou embarcar, navegar, integrar o Mar, a natureza. Serei de certeza melhor cuidado em movimento do que parado, indefeso. E se me magoar?! Cansei de me preferir ileso, de disfarçar este peso na consciência de não ser homem por conveniência. Chega. Acabou-se o moderno atrasado. Começa aqui o contemporâneo do futuro. 

Qual é a diferença? Toma o comprimido vermelho. Infelizmente ninguém pode ser dito o que é a Matriz. Tens que ver por ti próprio. Que dizes? Vai um mergulho no Mar?